No tempo da ocupação muçulmana na Península Ibérica, os árabes instalaram-se nas Serras de Pias e da Cucamacuca (Santa Justa), para explorarem as jazidas auríferas. Nos vales viviam os cristãos, dedicados às actividades agro-pecuárias, pacatos e muito devotos de S. João Baptista, a quem atribuíam a fama de curandeiro em situações desesperadas. Esta devoção advinha do facto da filha do chefe cristão ter sido salva por sua intervenção, quando acometida por um mal incurável.

Quando o Reimoeiro se viu em idêntica situação, pediu aos cristãos a imagem do santo milagroso para a salvar. Organizaram grandes festas e uma procissão em honra do santo, tendo convidado os fiéis, donos da estátua, para nelas tomarem parte, querendo convence-los a deixar a imagem milagrosa. Os cristãos recusaram-se e o Reimoeiro reteve-os e à preciosa imagem pela força, não perdendo a ocasião para os humilhar, sobretudo durante um almoço, sentando-os numa mesa a parte e servindo-lhes restos e imundices.

Os cristãos só foram salvos pela intervenção de uma outra tribo cristã, os Bugios, que apareceram mascarados, emitindo gritos estridentes e brandindo ferramentas agrícolas e objectos macabros. Fizeram-se acompanhar de um animal fantástico, a Serpe, tipo lagarto, para lhes infligir ainda um maior temor, conseguindo o seu duplo intento: salvar os companheiros e retomar a imagem milagrosa.